Tropa fascista

05Mar08

Quando o Arnaldo Bloch acusou o filme Tropa de Elite de ser fascista, muita gente chiou, mas as críticas começaram a aparecer. Era a senha para o envio da primeira tropa de choque.tropa-eliete.jpg

À frente, veio a Veja, bem ao seu estilo, fazendo uma defesa exaltada do filme. Na capa, a chamada já dava o tom: Tropa de Elite é o maior sucesso do cinema brasileiro porque trata bandido como bandido e mostra usuários de drogas como sócios dos traficantes. Tratar bandido como bandido deve ser a maneira como a revista chama a diferença de postura do Capitão Nascimento em relação ao garoto de classe média, pego comprando drogas e os favelados. O primeiro leva um corretivo, uma bronca; os outros não têm a mesma sorte – são asfixiados ou levam um tiro na testa. Ainda na mesma edição da Veja veio a primeira manifestação de uma das “3 bestas do apocalipse” (maneira carinhosa de chamar o Reinaldo Azevedo, o Olavo Carvalho e o Diogo Mainardi). Azevedo chamou os detratores do filme de “Bonde do Foucault”, em artigo com o sugestivo nome de Capitão Nascimento bate no Bonde do Foucault.

A poeira baixou um pouco e, já no início deste ano, veio o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Padilha não demorou a argumentar que o prêmio era a prova de que o filme havia sido mal interpretado no Brasil – culpa do Bonde do Foucault, provavelmente.

Não adiantou, parece que o bonde é mesmo internacional. Ainda durante o festival, a americana Variety chamou o filme de fascista. Há poucos dias, o Guardian classificou Tropa de Elite da mesma forma, no artigo Fascism on Film. Era hora de mandar a segunda tropa de choque.

playboy.jpgNo dia 03/03, mais uma besta do apocalipse saiu em defesa de Padilha e Nascimento: dessa vez o “Olavão”. No dia seguinte, foi lançada a Playboy – da mesma Editora Abril, da Veja – com uma entrevista com o diretor do filme. Já na chamada de capa ele dispara: “O cara escreve que Tropa de Elite é fascista e depois acende um baseado“.

Essa é a parte mais emblemática da história. Se não fosse toda a celeuma envolvida, a gente poderia dizer que essa é uma declaração… fascista! Ainda não li a entrevista, mas de qualquer forma a capa já é por si só assustadora. Afinal, se a frase foi tirada de contexto, revela uma disposição gigantesca da revista – e da Abril – de manipular informações em defesa do filme. A outra hipótese é ainda pior: o Padilha acredita mesmo que existem duas classes (ou mais?) de cidadãos.

O que eu não consigo entender é: o que tem a ver o sujeito fumar ou não maconha com a opinião dele sobre um filme?



One Response to “Tropa fascista”  

  1. 1 Rafael Dias

    Linda a sua frase, criticando o título da revista, logo depois admitindo que não leu, e depois ainda a denunciando com base em um “SE”.
    Quando a pergunta final, só vou dizer uma coisa: Porque prova que o sujito é cinico e tem arraigado em si a vontade de “tirar o seu da reta”, só isso já se prova a índole que conduzirá sua crítica.


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