Oscar Niemeyer completa 100 anos hoje. No mundo inteiro é considerado um dos maiores arquitetos de todos os tempos, talvez o maior ainda com vida. Segundo o Noblat, em uma recente lista que enumera os 100 gênios vivos da humanidade, ficou em nono. Sua obra mais importante é Brasília, que ajudou a criar em parceria com outros arquitetos. Há alguns meses foi convidado a construir uma nova capital para Angola.

No Brasil, entretanto, de uns tempos pra cá virou moda criticá-lo. Sempre à boca-pequena, claro. Dizem que sua arquitetura não é funcional, que suas construções só são bonitas por fora.

É pouco provável que tais críticas o incomodem. Sobre Brasília, por exemplo, certa vez disse à Caros Amigos:

Quem vai a Brasília, eu estou tranquilo, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E pra nós, na arquitetura, isso é o máximo.”

A verdade é que ele não gosta de falar sobre arquitetura. “A vida é muito curta para perder tempo com isso”, gosta de dizer. Desconfio que boa parte da implicância com Niemeyer vem do fato de ele ser – e se orgulhar disso – comunista e ateu.

Suas convicções políticas sempre estiveram ligadas à sua arquitetura. Os Cieps, que construiu no Rio, a convite de Darcy Ribeiro, são um bom exemplo. O projeto se propunha a realizar uma revolução na educação pública do país. Para que Darcy pudesse levar adiante seu projeto de educação em tempo integral, com refeições e assistência médica aos alunos, Niemeyer projetou as escolas à partir de estruturas pré-moldadas de concreto, barateando assim sua construção e facilitando a reprodução em larga escala.

Em 1989, projetou um monumento em Volta Redonda, em homenagem a três operários da CSN mortos durante um conflito com o exército na greve do ano anterior. Na madrugada seguinte à inauguração, foi colocada uma bomba na praça.

Se fossem menos políticas, provavelmente suas obras seriam menos contestadas. Em tempo de Mainardis, Reynaldos e Olavos, não pega bem dizer coisas como essa:

A gente espera que mude [a situação no Brasil], porque sente que em toda a América Latina, em toda parte, há uma tendência de mudar. Um movimento contra o Bush, governos mais populares na América Latina. Tanto que a gente vê que a coisa está melhorando, que há qualquer luz no horizonte, a gente tem uma esperança. Mas é difícil, principalmente para nós que não acreditamos em melhora dentro do regime capitalista. A gente tem que virar a mesa.”

Mas, não fosse assim, não seria Niemeyer. Certa vez, Fidel Castro lhe disse que os dois eram os últimos comunistas vivos em todo o mundo.

Depois da bomba em Volta Redonda, ele pediu que o monumento não fosse restaurado. A estrutura de concreto, com os corpos dos três operários representados em baixo relevo está até hoje tombada, presa apenas por vergalhões. Foram assassinados pela segunda vez. O arquiteto pediu ainda que fosse colocada uma placa, com uma frase que hoje, quando faz 100 anos, poderia perfeitamente ser dedicada a ele: “Um monumento àqueles que lutam pela Justiça e pela Igualdade



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